quinta-feira, 31 de maio de 2012

Apresentação


Neste minicurso refletiremos acerca do desenvolvimento das ideias cristãs sobre sexualidade, liberdade e pecado, a partir dos conflitos teológicos que emergiram nos primeiros anos do movimento de Jesus e que continuaram à medida em que o “Cristianismo” tomou forma nas comunidades gentias do mundo greco-romano, até o século V da Era Comum, e que influenciaria permanentemente a visão de mundo das “sociedades ocidentais”.

Em nossas discussões não nos centraremos na mensagem de Jesus per se, mas nos elementos práticos da mensagem que lhe foi atribuída, principalmente como ele e seus seguidores posteriores liam esses elementos na narrativa bíblica da Criação. Exploraremos as atitudes dos primeiros cristãos para com o casamento, a procriação, o sexo em geral e o celibato, e, em consequência, para com a “natureza humana” de forma geral, e as controvérsias que essas atitudes originaram à medida em que diferentes interpretações delas surgiram entre os cristãos através dos séculos.

Para que possamos compreender o radicalismo da mensagem atribuída ao personagem principal da história cristã – o próprio Jesus de Nazaré –, analisaremos brevemente alguns aspectos relativos à pessoa de Jesus nas próprias narrativas evangélicas que frequentemente são ignoradas pelo leitor “leigo” (e mesmo muitos daqueles mais teologicamente treinados), e que são essenciais para que possamos compreender não só sua mensagem (que, como dito anteriormente, não é o foco aqui), como também a teologia desenvolvida por seus seguidores posteriores. Analisaremos, para tanto, alguns textos da tradição judaica – Torah, Mishnah e Talmud –, assim como os textos básicos da tradição cristã: textos do Novo Testamento e aqueles relacionados aos Padres da Igreja.

Pessoalmente, acredito que as quinze horas destinadas a este minicurso possibilitem apenas uma brevíssima introdução ao tema nele abordado, e, assim, os participantes que nunca tiveram contato com as questões aqui tratadas a partir da própria tradição cristã, concluirão o mesmo com mais questões do que respostas. Confesso, contudo, que esta é exatamente nossa intenção: esperamos que os participantes possam descobrir outras maneiras de abordar a tradição cristã e sua relação com a maneira como as sociedades ocidentais compreendem questões tão essenciais à humanidade – e possam, a partir disso, fazer perguntas mais criativas e, se for de seu interesse, encontrar outros caminhos de investigação.

Espero que o curto espaço que teremos juntos, durante os cinco dias de encontro, possam ser úteis para todos os envolvidos. Nestas páginas, vocês encontrarão materiais referentes ao minicurso, e estarei disponível para responder quaisquer questões relativas aos temas que trataremos. Sintam-se à vontade para fazerem comentários, levantarem questões etc.

Desde já, agradeço ao Ciclo Acadêmico de História da UFRPE (instituição onde estudo) pelo convite e oportunidade para tratar o tema fora de meu ambiente teológico, e, especialmente, aos meus colegas e amigos do curso de História por todo o apoio e incentivo a essa empreitada.

Gibson da Costa